
Marc Kokopeli e Sydney Schrader
Curadoria de Anthony Huberman
Tudo tem bordas. Tem contornos. Um objeto ou uma imagem sempre começa em algum lugar e termina em outro, interagindo com tudo o que está próximo em ambos os lados. Essas bordas indicam a área onde algo encontra seu próprio exterior, seus pontos de contato com tudo o que não é.
Por “tudo”, não me refiro apenas a objetos e imagens, mas também a sons, corpos, cores, palavras, ideologias, ideias. E por “bordas”, não me refiro apenas às físicas, mas também às conceituais, políticas ou emocionais. Não se tratam de fronteiras rígidas, mas do conjunto de parâmetros em constante transformação que usamos para distinguir um objeto, uma ideia, uma agenda ou uma emoção de outro.
O trabalho de um artista, ou pelo menos uma maneira de pensar sobre o trabalho de um artista, é aguçar essas bordas e fazer com que uma se sobreponha à outra de maneiras que façam cada uma se curvar, se deslocar ou vibrar. Duchamp, por exemplo, observou as fronteiras que separam a “arte” do “não-arte” e criou obras que reconfiguraram o significado de ambos os conceitos. Rothko explorou o vermelho e o laranja. Caravaggio, a luz e a escuridão. Giotto, o humano e o divino.
Afiar uma aresta não significa necessariamente justapor elementos opostos ou díspares, mas também pode envolver abrir algo — inserir uma cunha em uma forma (ou ideia) que antes parecia monolítica, ou pelo menos inteira ou intacta, a fim de criar um novo perímetro, uma geografia diferente, uma vulnerabilidade recém-descoberta, como um machado rachando um tronco.
Uma maneira de descrever It’s a Pink Area, uma exposição de obras novas e antigas dos artistas nova-iorquinos Marc Kokopeli e Sydney Schrader, é dizer que ela é feita de arestas e cunhas. Objetos estranhos foram inseridos em lugares familiares, criando geografias diferentes e vulnerabilidades recém-descobertas. Elas criam uma espécie de área rosa, onde as arestas afiadas da escultura, do vídeo, dos corpos, das tecnologias, do milagroso e do mundano parecem coalescer, se cruzar ou se penetrar mutuamente, como pedaços de madeira lascada. São obras de arte que escavam as coisas